Na fila para votar, aquele anda e pára e os apitos da urna (quase funerária, para as utopias e para a reflexão, ainda que uma e outra não se dêem as mãos). Sai a senhorinha em fim de voto, voto secreto, voto nulo. Vai a senhora, roupa de ginástica – que, nesses tempos de coligação, faz-se bem necessária, apita aqui, apita lá, a consciência cívica se dá por contente e ganha o comprovante. Diz a senhora para o próximo da fila, senhor, roupas civis, braços cruzados – toma aqui, meu bem, a lista. Corajoso, cioso de sua própria consciência e da boca da urna, retorque – não precisa, não, que eu voto diferente. Voto secreto, voto nulo, entre risadas – que, pobre esposa!, mereciam-nas os candidatos.
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Na última mesa do salão, café e livraria misturados, meio que pegados um no outro, família em fim de tarde. O pai, a mãe, o filho, pequeno, de colo, sem paladar para café e sem gosto pelos livros, quiçá. Nessas inversões de fim de século, bem-vindas e auspiciosas, é a mãe quem lê um livro pesado, calhamaço, livro de quê? Lê compenetrada, distraída para com o filho. A comida chega, a mulher ali, lendo, e o homem se ocupa da comida estando a brincar com a criança.