Eis que, enfim!, chegam ao fim as eleições, a tal festa da democracia, tradição arraigada faz… vinte, vinte e poucos anos, oras, pois! Tanto tempo, tanto mar, quase nada de memória, um tiquinho de farsa. Festa popular, qual baile de máscaras, qual festa à fantasia, nesse país em que sempre é carnaval e, quiçá?, acumulamos – os candidatos? – pecados para o período casto… de exercício da república, quisera eu! Mas não, é de quaresma, mas não, que nada, é carnaval, e carnaval não sobe serra.
Desse pileque homérico do mundo, que já cantou o sambista em momentos melhores – seus, não do país -, Marianne, travestida de democracia – pois que votar, agora, é sinal, puro e simples, de que a república se exerce – no dia em que as bruxas corriam soltas, Marianne, coitada!, sozinha, solitária, em fim de festa, maquiagem borrada e fantasias destroçadas, eis que ela, de porre, a ver estrelas e tucanos, pensava na ressaca. Uma ressaca de mais quatro anos, e mais quatro, e mais quatro…
(Marianne andava a ler Ensaio sobre a lucidez, do comuna Saramago.)
12/11/2011 ás 13:03
O pior é sabermos que esse texto será atual por muito tempo.